Usinagem tipo exportação

A Toyo Matic investe US$ 22 milhões para atender a demanda interna e ampliar o volume de exportações
Fonte: IPESI - Franco Tanio
A Toyo Matic realizou investimentos da ordem de US$ 22 milhões nos últimos dois anos e deve fazer inversões adicionais até o primeiro trimestre de 2009, quando prevê inaugurar suas novas instalações em Bragança Paulista (SP), que já contam 8 mil m² de área construída. Uma parte dos recursos foi destinada às obras civis e outra à compra de máquinas e equipamentos necessários para atender à demanda brasileira principalmente de partes e peças usinadas de alumínio aeronáutico e aos planos da empresa de ampliar o volume de exportações dos atuais 5% para 30 a 35%. A empresa, de capital 100% nacional, conta com 105 máquinas CNC, incluindo 25 máquinas de cinco eixos compradas recentemente, das quais 18 já estão instaladas e sete devem chegar até abril de 2009. “Entre as que vão chegar, está a maior máquina de cinco eixos instalada abaixo da linha do Equador”, afirma o diretor presidente da Toyo Matic, Edvaldo da Rosa. “A máquina é da DMG”, complementa. A lista de máquinas-ferramenta de grande porte, porém, não se limita à da fabricante DMG. Há várias outras marcas no chão de fábrica da empresa, capazes de fazer inveja a prestadores de serviços de usinagem de qualquer lugar do mundo. Há máquinas de cinco eixos da suíça Mikron, da norte-americana Haas e da japonesa Mazak, por exemplo. Desta última, a empresa conta com duas da família Vortex, de cinco eixos, com trocador de pallet de grande porte (curso X de 4 m). “A primeira entrou em operação em 2007 e a segunda entrou em funcionamento em final de março, começo de abril”, afirma o diretor presidente. A Toyo Matic beneficia cerca de 40 toneladas de alumínio aeronáutico ao ano e está apta a produzir peças com furos de 0,4 mm de diâmetro a peças com até 4 m de comprimento, não somente em ligas de alumínio, como também em aços especiais. Além da indústria aeronáutica, que responde por 90% dos pedidos, a empresa atende também a cadeia automotiva, de máquinas de embalagem e outras. Para Edvaldo da Rosa, as ligas de alumínio para uso aeronáutico não são de difícil usinagem. Diferente das ligas de alumínio utilizadas, por exemplo, no setor de telecomunicações, as de uso aeronáutico não sofrem fusão durante o processo de usinagem, mesmo em altas velocidades. “O alumínio de uso aeronáutico permite uma usinagem limpa e com economia de máquina”, afirma. Apesar de a usinagem em si não ser complexa, o executivo explica que há necessidade de investimentos em máquinas de tecnologia avançada para atender aos elevados requisitos da indústria aeronáutica. “Na verdade, todas as peças que vão num avião são de segurança”, afirma o executivo, destacando que sua empresa produz também peças de Classe 1, de altíssima segurança, como as para trens de pouso e manifold. No caso do manifold que a Toyo Matic produz, segundo Rosa, existem 1620 cotas que precisam ser medidas e reportadas. “Foram três anos para desenvolvermos a usinagem”, afirma o executivo, destacando que sua empresa é uma das três fornecedoras mundiais da Parker capacitadas a produzir estas peças, que são acopladas ao flap do avião. “As outras duas estão nos Estados Unidos”, informa. A partir de setembro a empresa deve passar a produzir dois novos tipos de manifolds, que serão utilizados para controlar o leme e o profundor (elevator). “Demoramos um ano para desenvolver o processo.” A exigência técnica para a produção de manifolds é tão elevada que a Toyo Matic conta com centros de usinagens exclusivos para produzi-los. “São máquinas de cinco eixos, com trocador de pallet de 10 posições e trocador de ferramentas para 120 posições. “Temos duas na fábrica e duas em processo de importação”, diz. A Toyo Matic está habituada a produzir peças que poucas empresas do mundo fazem. Foi por exemplo a quarta fabricante no mundo a produzir impelers para turbocompressor de uso automotivo. É também a empresa que também produziu a antena do satélite que será lançado dentro do programa de cooperação Brasil-China. Além do elevado nível de exigência técnica das peças de uso aeronáutico, há grande retirada de material nos processos de usinagem. Na média, 60% do peso do material bruto se transforma em cavaco. “Mas há peças estruturais que 97% do material é retirado, sobrando apenas 3%”, afirma Edvaldo da Rosa. Desta forma, além de máquinas da mais recente geração tecnológica, a Toyo Matic necessita usar ferramentas de corte que garantam alta produtividade e qualidade de usinagem. Para isso, a empresa recorre a fornecedores de reconhecidos mundialmente, caso da TaeguTec, que fornece entre outros itens, as fresas da linha Alu-Mill (AES), que é polida e extremamente positiva, com ângulo de hélice de 50°, favorecendo a remoção de material e mínimo esforço de corte. “No caso da AES usamos para desbaste e acabamento numa única fresa”, explica o executivo.